quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A sala

Estive andando pela sala essa manhã
A sala esteve rondando ao meu redor
O sofá estava no mesmo lugar
As cadeiras, tapetes e lustres
Tudo como sempre
Eu sentada e a sala girando
Eu girando e a sala parada
As cortinas estavam inquietas
Vestindo o avesso da casa
A casa voando e os pensamentos no chão
Os pensamentos voando e a casa...
Bom...a casa nem estava mais ali
A sala era só meu refúgio


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Carta à França

(Saudade dos meus amigos Henry e Lily que foram para a distante França)



               Querida França, sei que a senhora anda muito ocupada e por esse motivo não vou roubar muito do seu tempo. Serei breve. O fato é que em meados de dezembro duas de minhas preciosas pedras rolaram para as suas bandas. O motivo e o modo como conseguiram tal proeza não estão em questão, mas venho por meio desta pedir que fique atenta aos passos das pequenas. São de beleza única, portanto creio que logo sentirá a presença delas.
                Uma é negra como pupilas de olhos tipicamente orientais. Aqui meus filhos dizem que essa pedra é como um patuá: traz sorte principalmente nos jogos! Já a outra é verde feito uma esmeralda, mas não se engane! Ela é capaz de camuflar-se entre as pedras daí. Acontece que a sua essência é de uma brasilidade que ela mesma desconhece... Dizem por aqui que essa preciosa tem o poder de melhorar o humor das pessoas! É bom lembrar que as minhas pequenas pedras não são lapidadas como as jóias que seus filhos carregam nos pescoços e pulsos... Elas levam em sua forma bruta um formato harmônico esculpido pelos rios por onde rolaram e por isso são únicas e tão valiosas!
                Por favor, caso as encontre, mande-as para mim, mas bem armazenadas e na mesma embalagem!  Elas nunca devem ser separadas! Superstição dos meus filhos... Não se deve contrariar!
                Desde já agradeço
Atenciosamente,
Brasil.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Enlace

Ele ultrapassa as razões criadas por ele
As tantas razões que não chegam num acordo
Ele ignora todas
Elas viram pedaços de vidro camuflados no chão
Um perigo que não é notado
Não há nada que o faça voltar agora
Ele sabe que uma coisa é certa:

Um passo lento pode dizer muita coisa
Mas um passo para trás pode dizer ainda mais

Então ele continua
A mão abraça fortemente o motivo de tudo
Aquele minúsculo sol
Um símbolo em extinção, talvez...
Pra ele, a prova da certeza absoluta
Não usa palavras, somente um gesto
As mãos unidas apoiadas no joelho
Abrem a pequena caixa felpuda
A luz maior não vem do pequeno sol
E sim das pupilas do olhar da moça

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Só palavras

Tudo que vira palavra
Antes era sentimento
Pensamento vago ou insistente
Vontade de sair correndo
E a palavra escrita
Não é nada mais que um grito preso
De quem não sabe querer
Fernando estava certo:
      Fala: parece que mente
      Cala: parece esquecer

O Ciclo

Faz, cansa, pára
Quer continuar
Porque parar também cansa
Continua, faz, cansa
Quer parar
Porque continuar cansa
Pára, cansa, continua
Mesmo cansado quer continuar
Continua, cansa, pára
Mesmo parado quer cansar
Então pensa...
E começa tudo outra vez.